10/09/2013 19:12

ANÁLISE

Prefeito foge do povo e aliados desaparecem


Isolado pelos aliados, o prefeito Vladimir Azevedo participou de solenidade vazia para comemorar 7 de setembro

A comemoração da Independência do Brasil em Divinópolis, ocorrida no último sábado, foi mais uma presepada do prefeito Vladimir Azevedo (PSDB). Pela primeira vez em cem anos, a data cívica mais importante do país, foi tratada pelo prefeito como  um acontecimento banal, sem nenhum valor histórico. Ao transferir a solenidade para a sede do Tiro de Guerra, local fechado, longe da região central e cercado por militares, o prefeito teve como único objetivo fugir do povo e de prováveis manifestações contra sua administração.

Não é concebível que uma data referência na história brasileira, não tenha sido compartilhada com estudantes e a população de modo geral. É como se o prefeito usasse a porta dos fundos, para não ser visto por cobradores. Sim, porque a população, sem nenhuma dúvida, cobra da administração pelo menos dignidade. Mas dignidade numa administração pública começa com atitudes que defendam interesses públicos. Os atos deste governo têm contrariado o bom sendo de qualquer homem público, fato que foi sacramentado nesta atitude do último sábado.

A solenidade reuniu alguns gatos pingados que teimaram em comparecer, comandantes militares, atiradores do Tiro de  Guerra, apenas cinco vereadores e nenhum deputado.  Uma verdadeira demonstração de que o prefeito, com apenas oito meses de mandato no seu segundo governo, já está sendo abandonado por aqueles com quem formou aliança para garantir sua reeleição.

O cartel político em torno da candidatura de Vladimir formado no em 2012 teve os três deputados da cidade e 10, dos 13 vereadores que integravam a legislatura passada. Nenhum deputado apareceu à solenidade e dos vereadores que pediram votos para o prefeito na campanha eleitoral, que subiram no palanque para a falsa inauguração da UPA/Ponte Funda em busca de votos, só esteve presente Rodyson do  Zé Milton (PSDB). Além dele apareceram Adilson Quadros (PSDB), Edmilson Andrade (PT), Edimar Máximo (PHS) e Edimar Felix (PHS). Apenas dois secretários municipais, dos 13 que ajudam a inchar a máquina administrativa, participaram do evento.

Esta debandada é sintomática. A companhia do prefeito não está fazendo bem politicamente. A fuga dos deputados é sinal de breve ruptura numa relação de conveniência feita em troca de favores e barganhas. Até o deputado federal Domingos Sávio (PSDB), que participa do governo palpitando em decisões e nomeações politiqueiras, decidiu não aparecer.

 Vladimir Azevedo deu mais uma demonstração de sua deslealdade com a cidade. Um homem público, bem avaliado ou não, ao tomar uma atitude de se fechar para não encontrar com o seu eleitor, assume que seu governo é desastroso, no mínimo.

É bem verdade que, embora tenha grande apelo histórico, a data sempre serviu para escamotear a real história brasileira. A tradição dos grandes e pomposos desfiles vem da ditadura, que na insanidade dos generais, se via obrigada a mostrar ostentação. E, colocar urutus e tropas nas ruas, além de ostentação, também era demonstração de força. Tornou-se tradição nacional e nunca passou de pão e circo para a população.

Continua sendo pão e circo. Mas essa  é a prática usual da política, oferecer pão e circo para encobrir a perversa realidade à qual políticos descompromissados com  a ética e a decência submetem cada um dos brasileiros. Desta vez, Divinópolis não teve nem circo. Pão, poucos são os privilegiados de mesa farta. 

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