15/09/2013 14:29

ANÁLISE

Por que Demetrius continua sendo a bola da vez?

O perfil do eleitor brasileiro mudou. O perfil do eleitor divinopolitano acompanhou essa mudança. Essa renovação do eleitorado não vem de hoje. A lógica era essa. Quem parou no tempo, parou e ficou. Essa mudança de perfil do eleitorado não pode ter sido surpresa para ninguém, muito menos para homens públicos. A renovação vem com a conscientização dos jovens sobre a importância do voto e, principalmente, com a juventude se tornando mais participativa, chamando para si reponsabilidades que até então fingia não ver, ou se via, acreditava não ser parte do problema.

Não é preciso ir tão longe em busca dessas mudanças. Uma breve análise da década de 1980, nos mostra que o eleitorado da cidade se dividia entre Galileu Machado e Aristides Salgado. Galileu, político da velha guarda, enraizado no PMDB com ranço de Newton Cardoso, continua sendo ainda uma liderança de respeito, mas não o mesmo líder de 30 anos atrás. Aristides, de ideias modernas, com luta reconhecida contra o regime ditatorial implantado pelos militares, acabou se perdendo no seu vai-e-vem partidário e essa  inconstância praticamente aniquilou uma liderança que não chegou a se concretizar.

O deputado federal Jaime Martins não se elege mais por Divinópolis. Fincou sua força em vários municípios do Estado, soube como ninguém atrair lideranças e por isso continua no topo. Porém, é fato que perdeu força no eleitorado local. O deputado Domingos Sávio, embora também tenha obtido votação expressiva no primeiro pleito que disputou para federal, precisou dos votos da legenda para garantir a cadeira e a maioria do seu eleitorado está em outros municípios da região. Politicamente foi consciente, trabalhou para isso. É claro que tanto Jaime Martins quanto Domingos Sávio não perderam suas lideranças na cidade, apenas estão enfraquecidos por razões óbvias. O eleitor mudou. E sabe quem se aproveita de ocasiões para se garantir no poder. Isso é fato.

A eleição e reeleição de Vladimir Azevedo mostram que o eleitor, além de ter mudado, está mais cauteloso, temeroso a experimentos que ainda são promessas. Prova é que na disputa pela reeleição, Vladimir enfrentou Galileu, Heloisa Cerri, Beto Cury e Jorge Torquato. A reeleição de Vladimir se deveu a dois fatores básicos na mudança do eleitorado. Um deles, naturalmente, a aliança oportunista fechada em torno do seu nome. Já os demais candidatos, muito contribuíram para a vitória tucana. Houve um oba-oba dentro da oposição, com um “já ganhou”  inexplicável, já que contrariava as pesquisas e o bom senso. Galileu, em que pese ser o segundo mais votado, era a repetição que o eleitor não queria. Heloisa Cerri e Beto Cury eram novos demais e o eleitor temia experimentos e, Jorge Torquato, com uma legenda nanica, não foi levado a sério. Vladimir aproveitou-se muito bem da máquina, soube tirar proveito disso, mas abusou além da conta. Hoje, enfrenta alta rejeição, é vaiado em locais públicos, esconde-se do povo e dificilmente conseguirá aglutinar o batalhão de políticos que se ajuntou em torno de sua candidatura ano passado, pois não compreendeu essa mudança de atitude do eleitorado.

E qual foi o nome da moda durante todo o desenrolar da campanha? Demetrius Pereira. O nome do ex-prefeito indicava rejeição mínima, não era novo demais e muito menos uma repetição com probabilidade de erro. Tanto o eleitor, quanto todos os candidatos sabiam disso. Demetrius era o nome que o eleitor pretendia levar à Prefeitura. Por motivos pessoais, especialmente por ser um homem absolutamente de família e avesso à confrontos, não colocou seu nome na disputa. A família apoiava, mas havia resistência e dentro do partido, o PT, Beto Cury veio de Brasília disposto a ser o candidato. Juntando as duas coisas, Demetrius optou por aguardar o melhor momento de voltar à pública.

Seu nome esteve na moda e está na moda, porque nos últimos 30 anos Divinópolis jamais teve uma administração tão arrojada quanto o seu mandato na Prefeitura no período de 2005 a 2008. E a prova que o eleitor mudou, está consciente das traquinagens da política, é que nem a ação espetaculosa da Polícia Federal, que tentou incriminar o ex-prefeito em irregularidades administrativas, diminuiu a confiança do eleitorado. O eleitor mudou. E além de refletir para dar o seu voto, também sabe diferenciar fato de boato. No caso da Polícia Federal, não foi um boatozinho de esquina. Foi uma armação cheia dedos, pois sabia-se que Demetrius representava um  grande risco para a queda de velhos e novos caciques.

Seu nome continua na moda. Quando se fala no ex-prefeito, a maioria dos eleitores, mesmo aquele que nunca votou em Demetrius, não reprova. Continua sendo novidade na política da cidade, com experiência comprovada e bons serviços assegurados. Foi testado e aprovado. E, se sair candidato no pleito do ano que vem, é nome muito forte para se consolidar como uma jovem liderança de discurso moderado, com folha corrida invejável  e carisma suficiente para ser um representante à altura da confiança que hoje o povo lhe deposita.

 

A política divinopolitana precisa acabar com o urgente toma-lá-dá-cá. A catira de favores em troca de apoios deu certo até agora, mas, com a mudança de atitude do jovem, maior conscientização do eleitorado veterano e as maluquices cometidas pelo governo atual, a hora é mais do que favorável para surgir novas lideranças. Demetrius nunca foi oportunista, já provou isso, mas, a hora é oportuna para que ele se torne definitivamente a bola da vez. 

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