25/09/2013 21:27

Matéria veiculada pelo Blog Divi-100, no dia 22 de setembro de 2010

No dia 20 de setembro de 2010, o Guarani Esporte Clube completou 80 anos. Na ocasião, o Blog Divi-100 publicou crônica em homenagem ao time, sem dúvida uma das grandes paixões do divinopolitano.  A crônica também teve como objetivo homenagear aos colegas radialistas, visto que o dia desse profissional é comemorado em 21 de setembro.

GUARANI: 80 ANOS, 80 MIL HISTÓRIAS

Uma homenagem aos radialistas, em especial ao Ricardão, ao Tunico, ao Vô, ao Chico Pires...

Por Jotha Lee

O site oficial do Guarani de Divinópolis vem trazendo uma série de matérias sobre os 80 anos de fundação do nosso bravo Bugre, comemorados no último dia 20. O autor dos textos, o narrador esportivo Ricardo Lúcio, esbanja conhecimentos sobre o time que é uma de suas grandes paixões – as outras são sua mulher Solange e os filhos, além do Clube de Regatas Vasco da Gama do Rio de Janeiro, não necessariamente nessa mesma ordem. 


O narrador Ricardo Lúcio: em 2010, na comemoração dos 80 anos do Clube, ele escreveu a história do Guarnai no site oficial

 

Permita-me, você que perde um pouco de seu tempo para ler este Blog, narrar este texto na primeira pessoa, pois o Guarani, embora os mais jovens não saibam, é parte de minha história. Minha vida na imprensa começou através do Rádio. Ainda criança, o rádio foi meu grande companheiro. Criava fantasias e me perdia em devaneios acompanhando as transmissões de futebol da saudosa Rádio Guarani, com a narração vigorosa de Jota Júnior, provavelmente o narrador esportivo mais popular de Minas Gerais. Sem dúvida, o mais competente. Aquela paixão sempre dava-me a esperança de um dia, também, ser ouvido pelas ondas do rádio. Isso ensinou-me que por mais cruéis que sejam nossas dificuldades, jamais podemos perder a esperança. Se perdê-la, morremos, pois a esperança é o alimento dos sonhos. 

Sonhar valeu a pena. Cheguei ao rádio. Realizei meus sonhos, embora hoje não possa mais fazer o que mais gosto, pois os políticos maus-caracteres dessa cidade, nunca aceitaram minha independência. Conseguiram, através da ação nefasta do poder econômico e da força bruta, cooptar as rádios da cidade, para que eu nunca mais pudesse exercer a profissão que é minha grande paixão. (Estou finalizando um livro onde conto essa história, citando grupos políticos, narrando fatos, revelando nomes de empresários que tentaram e ainda tentam me calar). 

Tenho grande orgulho de ter sido peça importante na formação da Divinópolis AM, embora hoje a Igreja, na pessoa do diretor da rádio, Padre Moacir Chagas Tavares, prefira ver o capeta do que reconhecer que fui um dos responsáveis pelo começo da história da emissora (as razões também estão no livro que estou finalizando). Na década de 1980, a equipe esportiva da Rádio Divinópolis era formada por Ricardo Lúcio e Antônio Eustáquio Rodrigues, o saudoso “Tunico” (narradores), Antônio Teixeira, o saudoso “Vô” (comentarista), Francisco Pires de Morais (repórter), sem esquecer Cléber Faria, que viria depois engrossar o time. E lá estava eu, âncora das transmissões esportivas e, quando necessário, exercendo o papel de repórter, o que fiz dezenas de vezes. Foi quando conheci o Guarani. Que time era aquele que arrastava multidões, movia paixões e nos deixava sem fôlego em jornadas memoráveis? Vi o Guarani de Lucinho; de Fernando Roberto; de Hermes; de Gilberto Voador; de Felpa, Prego, Coca; de Miltinho, Morais, Araújo... 

Foi esse Guarani que nos fez perder noites e noites de sono. O nosso bravo Bugre era o terror do interior mineiro. No campeonato estadual, viajávamos atrás do Guarani percorrendo todo o território de Minas e haja histórias para contar. Para mim, que acabava de sair da adolescência, era a vida que pedi a Deus. O Guarani deu-me muito. Deu-me amigos verdadeiros, experiência profissional e ainda ajudou-nos a consolidar a Rádio Divinópolis como uma das mais importantes emissoras de Minas em cobertura esportiva. 

Ao completar 80 anos, o Guarani, mesmo longe daqueles timaços que Ricardo Lúcio, Chico Pires, Antônio Eustáquio, Vô e eu vimos jogar, continua sendo uma grande paixão para esta cidade, que pouco lhe deu pelo muito que este clube sempre nos ofereceu. Hoje, já não frequento mais os estádios. A perseguição política me afastou do rádio, quase que banindo-me por completo da imprensa. Mas não esqueço nunca do meu Bravo Bugre, que acompanho atentamente, graças a Deus, ainda na voz de Ricardo Lúcio, meu querido amigo de velhas e deliciosas jornadas. Daquela equipe esportiva, Deus já levou para o andar de cima o Antônio Eustáquio e o Antônio Teixeira. No céu, certamente, continuam apaixonados pelo bravo Bugre. Aliás, Antônio Eustáquio era o narrador do grito de gol mais longo que conheci. Principalmente quando narrava gols do Guarani.  Certamente, tanto ele quanto o Vô, lá no andar de cima,  continuam torcendo e cornetando o nosso bravo Bugre. 

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