26/09/2013 16:19

População recorre à Assembleia Legislativa para combater siderúrgica poluidora


Reunião da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legisaltiva que discutiu problemas causados pela Siderúrgica Cosifer

Moradores de Divinópolis participaram nesta quarta-feira (25) de reunião da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, ocasião em que foi discutida a atuação da Siderúrgica Cosifer, localizada na Avenida Magalhães Pinto, próximo à antiga garagem da extinta empresa Trubel. O encontro aconteceu em atendimento a requerimento dos deputados Luzia Ferreira (PPS) e Fabiano Tolentino (PSD).

A Cosifer não tem sido nenhum exemplo de boa conduta. No dia 15 de agosto, a empresa teve suas atividades embargadas durante operação da Polícia Militar de Meio Ambiente e da Superintendência Regional de Regularização Ambiental (Supram). Além da poluição, a Cosifer também foi denunciada como caloteira, já que no dia seguinte, fornecedores  fizeram uma manifestação em frente ao portão da empresa, sob alegação de que estariam há três meses sem receber. A Cosifer voltou a funcionar no dia 29 de agosto, após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta, no qual a empresa recebeu um prazo de 60 dias para solucionar os problemas.

Os moradores denunciaram o prejuízo à saúde da população provocados pelo exercício irregular da Cosifer, que emite um pó tóxico e cancerígeno, provocando o aumento de doenças respiratórias. Representantes dos bairros mais afetados pela poluição ambiental - Manoel Valinhas, Estácio Pereira, Halim Souk e São Luís - não defendem o fechamento da Cosifer, mas cobram que ela se adeque à legislação ambiental. Maria Aparecida Borges, representante do bairro Manoel Valinhos – onde fica a siderúrgica -, afirmou que desde 2002 os moradores lutam por seus direitos. “Com a volta do funcionamento da siderúrgica, ficamos expostos à poluição de grande intensidade. Nossas casas e veículos estão sempre sujos, e os custos aumentaram: gastos com água, remédios e limpeza. Além disso, há também a poluição sonora causada pela Cosifer. Queremos nosso direito de respirar e dormir”, disse Maria Aparecida Borges.

PROBLEMAS EM TODO O ESTADO – O  gerente de Produção Sustentável da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), Antônio Augusto Melo Malard, afirmou que foram visitadas e avaliadas, entre 2008 e 2009, as 68 siderúrgicas do Estado. Ele disse que a siderurgia apresenta problemas em todas as regiões. “O maior problema são as emissões atmosféricas decorrentes do alto forno. Pouquíssimas empresas têm sistema de lavagem eficiente”, atestou.

Todas as 68 siderúrgicas avaliadas atenderam aos padrões ambientais exigidos, com quatro monitoramentos anuais, o que é muito suspeito, segundo o representante da Feam. “Isso acontece porque o monitoramento é feito pelas próprias empresas. Infelizmente o Estado não tem equipamentos para fazer medições, nem laboratórios. Ficamos à mercê dos automonitoramentos”, lamentou.

 

DADO ALARMANTE – Um dado alarmante foi apresentado durante a reunião pela deputada Luzia Ferreira. Ela lembrou que esteve em Divinópolis, conversou com moradores e visitou a região da fábrica para constatar as denúncias. “Não é só a questão de poluição ambiental e sonora (ruídos e barulhos acima do permitido lei), mas também o agravamento considerável de problemas de saúde, principalmente das vias respiratórias". Para ilustrar sua posição, a deputada citou uma pesquisa científica mostrando que Divinópolis tem nove vezes mais incidência de câncer pulmonar do que a média brasileira.


 

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